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JUVENTUDE ESPIRITA MENSAGEIROS DO BEM

Presença Espírita na Bíblia

José Reis Chaves (Belo Horizonte/SP) estudou para padre na Congregação dos Redentoristas, é formado em Comunicação e Expressão na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. É Escritor, durante vários anos lecionou Português, Literatura, História, Geografia e Latim. É Teósofo, parapsicólogo, biblista, e ao longo de toda a sua vida, o autor vem desenvolvendo pesquisas sobre a Bíblia, as religiões e a Parapsicologia. Por último, passou a estudar o Espiritismo, Doutrina que assimilou com facilidade, tendo em vista o seu longo tempo de estudo da Bíblia, da História e da Teologia Cristãs. Aposentado, atualmente dedica-se ao trabalho de escrever e proferir palestras na área espiritualista, mas principalmente Espírita, por todo o Brasil. É autor dos livros, entre outros: “A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência”, “Quando chega a Verdade” e "A Face Oculta das Religiões. e-mail: jreischaves@gmail.com

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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

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O tempo do diabo acabou

O Tempo do diabo acabou.



















SATANÁS NA VISÃO ESPÍRITA
Fonte: http://www.everystockphoto.com


Quando falamos em Diabo, Satã ou Satanás, nos referimos a uma entidade, um ser existente fisicamente, completamente voltado ao mal sem possibilidades de recuperação, condenado por Deus a reinar, privado da Luz Divina, seu lugar nos escuros e sombrios labirintos de uma caverna que chamamos Inferno.


Também nos lembramos do maior inimigo de Deus com quem batalha há milênios tendo por prêmio a alma dos homens: Deus ficaria com a alma dos bons e o Diabo com a alma dos maus.


O Espiritismo nos mostra que o Diabo seja qual for o seu apelido, não existe. Por Diabo devemos entender a maldade que existe em cada ser humano, seja ele desencarnado ou encarnado. Daí a existência de espíritos bons e espíritos maus, e para todos sempre existe a recuperação.


No entanto temos que admitir que o Espiritismo, enquanto religião é relativamente novo se comparado com as demais religiões. É normal, portanto, que muitos de seus adeptos, senão a maioria, seja originária de outras religiões. Aportamos no Espiritismo vindos do Catolicismo e do Protestantismo trazendo conosco todo um conjunto de valores que tínhamos como verdade absoluta e inquestionável. Um desses valores é a existência do Diabo, dos demônios e das penas eternas. Apesar de aprendermos muitas coisas que o Espiritismo nos ensina, ainda guardamos algum receio, ou mesmo medo das velhas crenças.


Pode ainda nos causar incômodo ou desconforto ao pronunciarmos ou ouvirmos alguns apelidos que conhecemos: capeta, coisa-ruim, sujo, cascudo, tinhoso, danado, cão, maldito, chifrudo, manquitola, quatro - dedos, beiçudo, bode – preto, cramulhano, pé – de – cabra,

Anti - Cristo e por aí vai.


Como nos ensina o Espiritismo, precisamos estar sempre estudando porque o estudo desenvolve nossa inteligência, com a qual podemos melhor diferenciar o bem do mal.


Estudarmos o diabo e sua história nos ajuda a desmistificar a imagem errada que fazemos deste personagem.


A visão moderna que temos do Diabo não é a mesma de tempos atrás. Em toda a história da humanidade sempre existiram bons e maus. Por não compreenderem as verdades como hoje as compreendemos, a humanidade explicou a existência de coisas ruins de maneiras coerentes com a época.


Entre os gregos, Sócrates já afirmava a existência dos demônios, que seriam gênios. Esses gênios (ou demônios) eram espíritos intermediários entre Deus e os Homens. Como tais, podiam ser ruins ou bons. Ele mesmo tinha seu gênio que o aconselhava.


No Museu do Louvre (Paris) existe uma imagem em bronze, datada de 1350 a.C. de Pazuzu (o Agarrador), o demônio do vento do sudoeste. No verão trazia doenças e o flagelo da seca e da fome e no inverno trazia gafanhotos.


Como se nota, os homens atribuíam às divindades boas ou más a explicação dos fenômenos naturais que ele não compreendia.

Estas referências servem apenas para demonstrar que a crença na existência de espíritos bons e maus não é nova, nem exclusividade hebraica ou cristã.


Apesar do interesse que o assunto nos provoca, é no meio cristão que mais no interessa a compreensão do Diabo.


A palavra Satã refere-se ao nome do Príncipe do Mal e origina-se na palavra hebraica Sãtãn que em grego significa Satanás. Portanto, Satã ou Satanás refere-se à mesma criatura, e significa “adversário”.


Nas traduções modernas da Bíblia, a palavra Sãtãn foi traduzida por Satanás, todas escritas com o “S” maiúsculo, ou pela palavra Diabo. Nos textos mais primitivos do Antigo Testamento, o “s” de satã era minúsculo.


Satanás, ou satã com “s” minúsculo indica um substantivo qualificativo. Neste caso algo ou al-guém é qualificado com uma função ou atribuição assim como hoje em dia chamamos de Promotor o homem que é advogado e tem a função de acusador. Nas citações do Velho Testamento, analisando o contexto em que foi citado, satã refere-se ao acusador (promotor) e muitas vezes é descrito um verdadeiro tribunal divino.


Já a palavra Diabo tem origem na tradução do Velho Testamento conhecida como a Bíblia dos Setenta. Isto porque a tradução foi feita no século III a.C. por 72 rabinos e, segunda a lenda, demorou 72 dias para ser concluída. Nesta tradução a palavra satã foi substituída pela palavra grega “diabolos” que traduzida para o português arcaico significa “diaboo”.

As passagens Bíblicas:


1. Zacarias, 3,1-2

2. Jó, 1, 6-12


são suficientes para demonstrar o caráter de Satanás. Notemos que não havia nenhum diálogo entre ele e Deus que denotasse a inimizade arraigada de hoje em dia. Não se trata aqui de dois oponentes que disputam a alma dos homens. Ao contrário, Satanás se mostra bem submisso às ordens de Deus, aceitando calmamente todas as decisões divinas e não encontramos nenhuma passagem que pudesse ser caracterizada de forma diferente. Satanás era, como se demonstra, um servidor de Deus. Este servidor possuía uma tarefa das mais desagradáveis: encontrar e denunciar as falhas humanas. Por isso mesmo, Satanás era temido por aqueles que cometiam erros contra o Senhor. Nota-se que no versículo 6 do capítulo 1 de Jó, que Satanás

encontrou-se com o Senhor junto aos filhos de Deus e não há citação alguma de qualquer incômodo que a presença pudesse ter causado.


De promotor divino, acusador, Satanás evoluiu, ou involuiu para o ser infeliz, destinado a viver nas trevas, privado da Luz Divina, adversário de Deus com quem disputa a alma dos homens. Esta evolução aconteceu apenas no Cristianismo.


Foi com os evangelistas que o caráter infernal de Satanás veio à tona.


O Apocalipse de João revela uma imagem melhor elaborada de Satanás, e é no capítulo 12 que João descreve a queda do Anjo, identificado como o grande dragão.


Por todo o novo testamento existem citações das ações do Diabo que é reconhecido em todo lugar onde haja uma maldade humana.


A palavra Lúcifer , também atribuída erroneamente a Satã, era, na verdade, atribuída a Jesus, o Cristo pois é Ele o único Lúcifer que o nosso mundo conheceu.


Feroz e terrível, a imagem do Diabo assombrou os cristãos iniciantes mas foi com Santo Agostinho que sua imagem se firmou.


O antagonismo entre Deus e Diabo representa antes de tudo a eterna luta entre o bem e o mal. Aurelius Augustinus, o nosso Santo Agostinho, nasceu em 13 de novembro de 354. Romano de descendência, africano de nacionalidade (nasceu em Tagaste, Numídia, na África), ingressou no Catolicismo aos 32 anos, em 386 e converteu-se num dos quatro pilares da filosofia Católica. Defendeu a idéia de que Deus é a bondade absoluta.


Em 395 torna-se bispo na cidade de Hispona.


Em 397 e 398 escreve As Confissões que é uma autobiografia.


Em 413 começa a escrever a Cidade de Deus.


Falece em 28 de agosto de 430.


N’As Confissões defende a tese de que Deus é incorruptível, sendo o eterno Bem. Também defende que o mal nada mais é do que a corrupção do bem. Portanto, todo aquele que pratica o mal está, na verdade, corrompendo o bem que está em si. Se estiver corrompendo o bem que está em si é porque existe nele alguma coisa boa que possa ser corrompida. Portanto, todo o que se corrompe é bom. Para ele, o mal absoluto não existe porque, ou seria criado por Deus, mas Deus não criou o mal, ou o mal absoluto seria um outro deus que contraria a crença Cristã do Deus Único. Portanto, nada existe que não possa obter a salvação, apenas restringe a salvação como sendo por uma graça Divina.


O diabo, como ser eternamente devotado ao mal, no Livro A Cidade de Deus, Santo Agostinho ratifica que o mal não é criação Divina mas uma criação do homem. O anjo que se revoltou contra Deus e foi expulso da Felicidade Eterna dos Anjos, revoltou-se por conta da soberbia e do orgulho que lhe dominou. Portanto, o diabo não é uma criação de Deus mas o resultado dos pecados de um anjo.


Esta filosofia de Santo Agostinho fortaleceu ainda mais a crença no diabo.


E o capeta cresceu em poder diante dos homens durante os séculos vindouros. Mas foi na Idade Média que ele atingiu o topo de seu apogeu.


Tudo o que viam e acontecia sem uma explicação, era designado ao diabo. Se uma pessoa caía e se debatia no chão, com a espuma a sair-lhe pela boca, estava possuída.


A arma mais forte do diabo era a tentação.


No Paraíso, o diabo na forma de uma serpente tentou Eva a consumir a fruta proibida ocasionando sua expulsão do Paraíso.


A mulher foi responsabilizada pela condenação do homem. Por ter cedido à tentação, formou-se a opinião de que a mulher era facilmente influenciada e por isso mesmo, transformou-se em serva do diabo, sendo chamada de bruxa. Tidas como insaciáveis, faladeiras, sensuais e lascivas, as mulheres atraíam facilmente os homens para o pecado.


Foi na Idade Média que surgiram as caças aos bruxos (ou feiticeiros) e a identificação da ação no Diabo nos possuídos e nos atormentados.


Os possuídos eram aquelas pessoas tomadas pelos demônios, mas contra sua vontade.


Os atormentados eram aquelas pessoas tomadas esporadicamente pelos demônios e também contra a sua vontade.


Os feiticeiros (ou bruxos) eram indivíduos que fizeram um acordo com o Diabo recebendo poderes especiais em troca de sua alma.

Mesmo com todo o poder adquirido na Idade Média, o Diabo viria a sofrer golpes terríveis.


No Renascimento, que marcou o fim da Idade Média, o Diabo começou a sofrer sérios reveses e seu poder foi diminuindo pouco a pouco.


Neste período, o desenvolvimento da cultura e da ciência, a bruxaria foi taxada como coisa de gente ignorante, indigna de pessoas mais cultas.

Outro golpe que marcou o fim do poderio satânico foi o desenvolvimento das ciências.

Trazendo ao mundo várias descobertas que não podiam ser contestadas pela crendice ou pela ignorância, os fatos antes atribuídos ao demônio tornaram-se problemas de saúde física com recuperação através de tratamentos e medicação.


É natural que o seu poder diminuiria pois sua fonte estava justamente sendo demonstrado nada ter de demoníaco, mas foi na segunda metade do século XIX que o Diabo sofreu os mais sérios e decisivos golpes.


O primeiro em 18 de Abril de 1857 quando Allan Kardec trouxe ao mundo O LIVRO DOS ESPÍRITOS.


Mais precisamente nas perguntas de números 128 até a 131, os Espíritos esclarecem que não existem seres eternamente voltados ao mal nem seres criados em situações especiais, diferentes do restante da humanidade.


Evidentemente que a obra de Kardec gerou muita oposição, mas a verdade prevaleceu.

Mas o golpe decisivo veio em setembro de 1865 quando Kardec entrega ao mundo sua obra O CEU E O INFERNO.


Apesar d’O Livro dos Espíritos abordar este assunto de forma incontestável, é n’O Céu o Inferno que temos uma explicação detalhada e racional demonstrando a impossibilidade da existência do Diabo e seus seguidores.


Não importa quantos nomes ou apelidos foram atribuídos ao ser de eterno mal, o fato é que ele não existe como um ser real, físico.


Sua existência deve sim, a uma figuração do mal. Um símbolo do mal que o homem pode produzir.


Dentro desta simbologia, podemos denominar os espíritos maus como demônios, desde que aceitemos o fato de que estes demônios não são espíritos condenados a praticar o mal eternamente.


A visão espírita do Diabo está em perfeita comunhão com a definição do mal dada por Santo Agostinho. O mal absoluto não pode ser criação de Deus, porque em assim sendo, Deus não seria eternamente bom nem justo. Para o espiritismo o mal é causado pela ignorância dos homens que não conhecem e nem praticam a busca dos valores espirituais anunciados por Jesus. Para Santo Agostinho, o mal é a corrupção do bem. Em síntese, são uma e a mesma coisa.


Evidentemente que a teoria de Santo Agostinho não para aí e vai em frente, admitindo a existência dos anjos, dos anjos revoltosos e sua queda, com o que o Espiritismo não concorda.


Toda a crença na existência dos anjos, demônios e das penas eternas vai contra toda a existência lógica do próprio Deus.


Colocando este ponto de vista, nos perguntamos então, porque a humanidade o fez tão forte. Seria para enganar e manter o domínio sobre a população? Seria uma guerra de interesses e de poder entre a Igreja e o Estado? A Igreja Católica deve ser condenada por este mal causado à humanidade?


Para todas estas perguntas, só existe uma resposta: NÃO!


Em primeiro devemos entender que o Cristianismo, no início, sofreu muita pressão das religiões existentes. Muitas destas religiões pretendiam explicar tudo, e dava suas explicações, absurdas se consideradas nos dias atuais, mas perfeitamente enquadradas nos moldes intelectuais da época.


Apenas a título de exemplo podemos citar as teorias do Maniqueísmo que defendia, entre outras, a tese da existência de dois deuses: o Deus bom e justo e o Deus do mal (o diabo), justificando a guerra entre o bem e o mal. O próprio Santo Agostinho foi maniqueísta antes de sua conversão ao Cristianismo.


Outra corrente em vigor na época de Santo Agostinho, era a dos Platônicos que combatiam a tese das penas eternas. Segundo eles, todo o mal praticado pelos homens era, na verdade, uma maneira de aprenderem o bem. Diziam que nenhum mal ficaria sem punição, e todo o mal cometido seria corrigido durante a vida através dos castigos e flagelos recebidos. Aqueles males cometidos e não purificados antes da morte, seriam levados pela alma que os purificariam após a morte. Uns iriam para os abismos, outros seriam içados aos ventos e

outros ficariam queimando em um fogo que não se apagava até que todos os males estivessem purificados. Esta teoria não deixa claro o que ocorre após a purificação, mas sugere a existência de uma espécie de céu.


Pressionado por estas religiões, o Cristianismo deveria também ter uma resposta para tudo, Se não tivesse, ficaria ameaçado de esquecimento porque não teria aceitação junto à população. Afinal, quem se dedicaria a uma Religião que não soubesse explicar os acontecimentos rotineiros do dia – a – dia, quando tantas outras explicavam?


Impossibilitados de alçar vôo mais alto devido à completa ausência de conhecimento e desenvolvimento científico, pressionado pelas exigências culturais e racionais da época, influenciado pelas crenças de outras religiões, o surgimento do Diabo, como sido anjo caído foi a mais racional que puderam entender.


Não podemos deduzir daí que a criação do Diabo e das penas eternas é hoje um bem, ou que estamos aqui defendendo sua existência.


Apenas devemos nos colocar no contexto social de uma época para entender o que esta época realizou.


A existência do Diabo pode até mesmo ser considerada um bem para a humanidade pois serviu de freio para os homens. Se não fosse assim, a violência e a crueldade humana teriam sido muito maiores.


Acreditar nisto, é uma coisa. Acreditar hoje em dia que o Diabo existe do mesmo jeito que se acreditava é um erro, mesmo para uma pessoa não espírita já que os avanços da ciência, por si só, já apagou o fogo eterno do inferno.


Para os Espíritas, o diabo e seus demônios não podem ser vistos senão como a alma dos próprios homens que, ainda endurecidos, praticam toda a sorte de maldades, mas que um dia, cansados do mal, quererão, poderão e alcançarão as mesmas alegrias que desfrutam os

espíritos superiores, chamados anjos.


Mas nem tudo está perdido para o Diabo. Ainda hoje existem algumas seitas, se assim podemos chamá-las, de adoração ao Diabo. Nas religiões tradicionais, como no Protestantismo e no Catolicismo, o seu poder ainda é muito forte. Mas esses casos representam apenas os últimos redutos, ou os últimos suspiros de uma crença que teve seu valor, mas que está irremediavelmente condenado à superação.


E o Espiritismo foi o golpe fatal. O tempo do Diabo acabou, porque já era pouco, como disse o Evangelista João no Apocalipse, 12,12 “... porque o Diabo desceu até vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo.”


Fonte de pesquisa: http://amigoespiritadf.blogspot.com.br/2012/07/satanas-na-visao-espirita.html



BIBLIOGRAFIA

O Céu e o Inferno – Allan Kardec

O Livro dos Espíritos – Allan Kardec

Revista Edições Planeta – Os Grandes Enigmas – numero 4

Revista História Viva – Grandes Temas numero 12 – Sob a sombra do Diabo

A Bíblia Sagrada – Tradução de João Ferreira de Almeida – Revisada em 1969

Santo Agostinho – Coleção “Os Pensadores”

A Cidade de Deus contra os pagãos – Santo Agostinho

O Novo Dicionário da Bíblia – J. D. Douglas – tradução João Bentes – Edições Vida Nova

Considerações e concordâncias bíblicas concernentes à Criação - QUESTÃO 59 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Considerações e concordâncias bíblicas concernentes à Criação - QUESTÃO 59 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS

QUESTÃO 59 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS



Nota da Editora de O Livro dos Espíritos:

O texto colocado entre aspas, em seguida às perguntas, é a resposta que os Espíritos deram. Para destacar as notas e explicações aditadas pelo autor, quando haja possibilidade de serem confundidas com o texto da resposta, empregou-se um outro tipo menor. Quando formam capítulos inteiros, sem ser possível a confusão, o mesmo tipo usado para as perguntas e respostas foi o empregado.



Parte Primeira

Das causas primárias



CAPÍTULO III

DA CRIAÇÃO



Considerações e concordâncias bíblicas concernentes à Criação



A.K.: 59. Os povos hão formado idéias muito divergentes acerca da Criação, de acordo com as luzes que possuíam. Apoiada na Ciência, a razão reconheceu a inverossimilhança de algumas dessas teorias. A que os Espíritos apresentam confirma a opinião de há muito partilhada pelos homens mais esclarecidos.

A objeção que se lhe pode fazer é a de estar em contradição com o texto dos livros sagrados. Mas, um exame sério mostrará que essa contradição é mais aparente do que real e que decorre da interpretação dada ao que muitas vezes só tinha sentido alegórico.

A questão de ter sido Adão, como primeiro homem, a origem exclusiva da Humanidade, não é a única a cujo respeito as crenças religiosas tiveram que se modificar. O movimento da Terra pareceu, em determinada época, tão em oposição às letras sagradas, que não houve gênero de perseguições a que essa teoria não tivesse servido de pretexto, e, no entanto, a Terra gira, mau grado aos anátemas, não podendo ninguém hoje contestá-lo, sem agravo à sua própria razão.

Diz também a Bíblia que o mundo foi criado em seis dias e põe a época da sua criação há quatro mil anos, mais ou menos, antes da era cristã. Anteriormente, a Terra não existia; foi tirada do nada: o texto é formal. Eis, porém, que a ciência positiva, a inexorável ciência, prova o contrário. A história da formação do globo terráqueo está escrita em caracteres irrecusáveis no mundo fóssil, achando-se provado que os seis dias da criação indicam outros tantos períodos, cada um de, talvez, muitas centenas de milhares de anos. Isto não é um sistema, uma doutrina, uma opinião insulada; é um fato tão certo como o do movimento da Terra e que a Teologia não pode negar-se a admitir, o que demonstra evidentemente o erro em
que se está sujeito a cair tomando ao pé da letra expressões de uma linguagem freqüentemente figurada. Dever-se-á daí concluir que a Bíblia é um erro? Não; a conclusão a tirar-se é que os homens se equivocaram ao interpretá-la.

Escavando os arquivos da Terra, a Ciência descobriu em que ordem os seres vivos lhe apareceram na superfície, ordem que está de acordo com o que diz a Gênese, havendo apenas a notar-se a diferença de que essa obra, em vez de executada milagrosamente por Deus em algumas horas, se realizou, sempre pela Sua vontade, mas conformemente à lei das forças da Natureza, em alguns milhões de anos. Ficou sendo Deus, por isso, menor e menos poderoso? Perdeu em sublimidade a Sua obra, por não ter o prestígio da instantaneidade? Indubitavelmente, não. Fora mister fazer-se da Divindade bem mesquinha idéia, para se não reconhecer a sua onipotência nas leis eternas que ela estabeleceu para regerem os mundos. A ciência, longe de apoucar a obra divina, no-la mostra sob aspecto mais grandioso e mais acorde com as noções que temos do poder e da majestade de Deus, pela razão mesma de ela se haver efetuado sem derrogação das leis da Natureza.

De acordo, neste ponto, com Moisés, a Ciência coloca o homem em último lugar na ordem da criação dos seres vivos. Moisés, porém, indica, como sendo o do dilúvio universal, o ano 1654 da formação do mundo, ao passo que a Geologia nos aponta o grande cataclismo como anterior ao aparecimento do homem, atendendo a que, até hoje, não se encontrou, nas camadas primitivas, traço algum de sua presença, nem da dos animais de igual categoria, do ponto de vista físico. Contudo, nada prova que isso seja impossível.

Muitas descobertas já fizeram surgir dúvidas a tal respeito. Pode dar-se que, de um momento para outro, se adquira a certeza material da anterioridade da raça humana e então se reconhecerá que, a esse propósito, como a tantos outros, o texto bíblico encerra uma figura.

A questão está em saber se o cataclismo geológico é o mesmo a que assistiu Noé. Ora, o tempo necessário à formação das camadas fósseis não permite confundi-los e, desde que se achem vestígios da existência do homem antes da grande catástrofe, provado ficará, ou que Adão não foi o primeiro homem, ou que a sua criação se perde na noite dos tempos. Contra a evidência não há raciocínios possíveis; forçoso será aceitar-se esse fato, como se aceitaram o do movimento da Terra e os seis períodos da Criação.

A existência do homem antes do dilúvio geológico ainda é, com efeito, hipotética. Eis aqui, porém, alguma coisa que o é menos. Admitindo-se que o homem tenha aparecido pela primeira vez na Terra 4.000 anos antes do Cristo e que, 1650 anos mais tarde, toda a raça humana foi destruída, com exceção de uma só família, resulta que o povoamento da Terra data apenas de Noé, ou seja: de 2.350 anos antes da nossa era. Ora, quando os hebreus emigraram para o Egito, no décimo oitavo século, encontraram esse país muito povoado e já bastante adiantado em civilização. A História prova que, nessa época, as Índias e outros países também estavam florescentes, sem mesmo se ter em conta a cronologia de certos povos, que remonta a uma época muito mais afastada. Teria sido preciso, nesse caso, que do vigésimo quarto ao décimo oitavo século, isto é, que num espaço de 600 anos, não somente a posteridade de um único homem houvesse podido povoar todos os imensos países então conhecidos, suposto que os outros não o fossem, mas também que, nesse curto lapso de tempo, a espécie humana houvesse podido elevar-se da ignorância absoluta do estado primitivo ao mais alto grau de desenvolvimento intelectual, o que é contrário a todas as leis antropológicas.

A diversidade das raças corrobora, igualmente, esta opinião, O clima e os costumes produzem, é certo, modificações no caráter físico; sabe-se, porém, até onde pode ir a influência dessas causas. Entretanto, o exame fisiológico demonstra haver, entre certas raças, diferenças constitucionais mais profundas do que as que o clima é capaz de determinar. O cruzamento das raças dá origem aos tipos intermediários. Ele tende a apagar os caracteres extremos, mas não os cria; apenas produz variedades. Ora, para que tenha havido cruzamento de raças, preciso era que houvesse raças distintas. Como, porém, se explicará a existência delas, atribuindo-se-lhes uma origem comum e, sobretudo, tão pouco afastada? Como se há de admitir que, em poucos séculos, alguns descendentes de Noé se tenham transformado ao ponto de produzirem a raça etíope, por exemplo?

Tão pouco admissível é semelhante metamorfose, quanto a hipótese de uma origem comum para o lobo e o cordeiro, para o elefante e o pulgão, para o pássaro e o peixe. Ainda uma vez: nada pode prevalecer contra a evidência dos fatos. Tudo, ao invés, se explica, admitindo-se: que a existência do homem é anterior à época em que vulgarmente se pretende que ela começou; que diversas são as origens; que Adão, vivendo há seis mil anos, tenha povoado uma região ainda desabitada; que o dilúvio de Noé foi uma catástrofe parcial, confundida com o cataclismo geológico; e atentando-se, finalmente, na forma alegórica peculiar ao estilo oriental, forma que se nos depara nos livros sagrados de todos os povos. Isto faz ver quanto é prudente não lançar levianamente a pecha de falsas a doutrinas que podem, cedo ou tarde, como tantas outras, desmentir os que as combatem. As idéias religiosas, longe de perderem alguma coisa, se engrandecem, caminhando de par com a Ciência. Esse o meio único de não apresentarem lado vulnerável ao cepticismo.



***

FILOSOFIA ESPÍRITA - VOLUME II



Questão 59 comentada

CAPÍTULO 8

0059/LE

O DIA DA CRIAÇÃO



O dia certo da criação da Terra e o momento em que surgiu o homem na face da mesma escapa a qualquer inventiva que deseje oferecer os dados exatos, para a curiosidade humana. Alguns escritores modernos atiram críticas desrespeitosas ao velho livro iniciado pelo Legislador Hebreu, por este dizer que a Terra foi feita em seis dias apenas. Esquecem-se esses defensores da verdade que a própria verdade, em se visitando a humanidade, veste a capa da relatividade, para não ser um veículo de perturbação. Muitos segredos existentes na Bíblia estão em forma de parábolas ou envolvidos na letra, para oferecer conforto às variadas classes de criaturas. Encontramos esse processo de comunicação no próprio Novo Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele usou as parábolas para falar à multidão. Esse modo de falar por vezes atravessa séculos e mais séculos, conduzindo a mensagem para quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir, como Ele mesmo Se refere aos ansiosos pela verdade. A própria ciência moderna nos dá uma visão da paciente mutação das coisas. Vejamos a transformação do carvão em diamante, feita pela natureza em milhões de anos. Nada é feito com violência. Observemos a petrificação de animais encontrados nas rochas, e a própria pedra que já foi água em passado de difícil demarcação.

Se o crítico de hoje se colocasse no lugar de Moisés, o que iria escrever sobre a criação? Talvez os mais endurecidos dissessem que não escreveriam nada, para não dizer da forMa que foi dito. Por isso é que nenhum desses foi Moisés, porque era preciso iniciar, do modo que o mundo espiritual achasse mais conveniente. O Legislador foi um instrumento dos Espíritos Superiores. Deu início a uma obra grandiosa que persiste até nos dias em que vivemos, admirada e seguida, respeitada e comentada, vivida e interpretada à luz de todas as épocas.

O fanatismo em tomo da Bíblia é obra dos homens que ainda não alcançaram o bom senso, pois ele existe em todas as religiões, senão na própria ciência ou filosofia. Compete a cada um de nós um estudo sério sobre a matéria e uma meditação respeitosa sobre os assuntos ventilados no Livro Sagrado, chegando à conclusão de que o bem feito por ele em todo o mundo ultrapassa as nossas esperanças em outras fontes. O próprio Jesus a chamou de lei, dizendo: “Não vim destruir a lei, mas dar-lhe cumprimento.” E o Novo Testamento sentiu-se seguro ligado ao Velho, como criança obediente ao pai, para depois ajudá-lo no seu roteiro de novas eras. O Mestre tinha grande zelo no cumprimento das escrituras, pois foi Ele mesmo, do mundo espiritual, quem enviou Moisés e os profetas, no anúncio de todas as verdades, do modo que elas foram pregadas, para depois consolidá-las com a Sua própria presença, que o mundo recebeu como um prêmio dos Céus, para nunca mais se esquecer dessas bênçãos de Deus aos filhos da Terra.

Não te preocupes em demasia com o dia da criação, na exatidão do termo, nem com o momento em que foi criado o homem, e a urgência do despertar interior das criaturas, dos valores imortais do Espírito, onde mora Deus no trono da consciência. Adão é, pois, um símbolo da criatura; podemos tê-lo como um tronco de raça, como muitos outros. Quem desejar descobrir qual foi o primeiro homem, que faça isso primeiro: descubra qual foi a primeira flor de uma gigante mangueira florida, que a razão dará a resposta exata do que queremos dizer. Que Jesus nos abençoe.

Fonte: http://www.olivrodosespiritoscomentado.com/fev2q59c.html